R$ 20 Milhões em Danos: O Custo Financeiro dos Ataques de 8 de Janeiro
Já ultrapassam os R$ 20 milhões os prejuízos financeiros causados à União pelos atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro de 2023, data em que as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas. O valor, contudo, ainda não é definitivo e tende a crescer à medida que as avaliações técnicas de bens de alto valor histórico e cultural sejam concluídas.
Este levantamento, que reúne valores pagos e estimativas do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, revela a magnitude da destruição em um evento que abalou as estruturas democráticas nacionais, ocorrido apenas uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
STF: O Maior Impacto Financeiro
O Supremo Tribunal Federal foi o alvo com o maior impacto financeiro, registrando danos que chegam a cerca de R$ 12 milhões. Deste montante, R$ 8,6 milhões correspondem à destruição, furto ou dano irreversível de 951 itens. Entre os bens perdidos ou danificados, destacam-se:
- Quatro fotografias de Sebastião Salgado, avaliadas em R$ 784 mil.
- Dez câmeras da TV Justiça, com custo de reposição de R$ 2 milhões.
- Vários computadores, mobiliário, documentos oficiais e equipamentos de segurança.
A reconstrução do plenário do STF, epicentro da depredação, demandou obras estimadas em R$ 3,4 milhões. O espaço teve carpetes históricos, cortinas, cadeiras, painéis e sistemas elétricos restaurados ou substituídos. Infelizmente, 106 peças históricas, como esculturas e móveis de valor insubstituível, não puderam ser recuperadas. Em resposta, o STF optou por criar "pontos de memória" com fragmentos danificados, preservando um registro físico da violência.
Congresso Nacional: Prejuízos Significativos
No Congresso Nacional, os prejuízos combinados da Câmara dos Deputados e do Senado Federal somam cerca de R$ 4,9 milhões.
Câmara dos Deputados:
- Danos contabilizados em R$ 2,7 milhões.
- R$ 1,2 milhão para manutenção predial (sistemas elétricos, hidráulicos e vidros).
- R$ 1,4 milhão para restauração de 68 itens artísticos (pinturas, esculturas, painéis).
- Cerca de 400 computadores destruídos, com custo de reposição superior a R$ 2 milhões.
- Duas viaturas da Polícia Legislativa, avaliadas em R$ 500 mil.
- Salão Verde exigirá substituição de 2.000m² de carpete, com despesa estimada em R$ 626 mil.
- A obra "The Pearl", presente do governo do Catar, em ouro, pérola e couro, avaliada em R$ 5 mil, permanece desaparecida.
- Obras de artistas renomados como Athos Bulcão, Victor Brecheret e Sônia Ebling também sofreram danos.
Senado Federal:
- Prejuízos estimados em aproximadamente R$ 1,3 milhão.
- A pintura histórica "Ato de Assinatura da Primeira Constituição" (séc. XIX) teve custo de recuperação estimado em R$ 800 mil, após vândalos se pendurarem na obra.
- Restauração da tapeçaria de Burle Marx, danificada por rasgos, manchas e urina, com custo projetado de R$ 250 mil.
- Mobiliário histórico, como uma escrivaninha do século 19 do antigo Palácio Monroe, foi recuperado.
Palácio do Planalto: Acervo Cultural Prejudicado
Apesar de apresentar menor destruição estrutural, o Palácio do Planalto sofreu avarias relevantes em seu acervo cultural. Obras de arte e objetos históricos foram danificados, com custos significativos associados a processos de restauração especializados.
- Avarias identificadas em 24 obras, com valores avaliados em cerca de R$ 3,5 milhões.
- O emblemático relógio francês do século 18, de Balthazar Martinot, peça única no mundo além de uma em Versalhes, foi arremessado ao chão. Seu valor financeiro ainda não foi estimado devido à sua relevância histórica.
- Reposição da vidraçaria quebrada, estimada em R$ 204 mil.
- Furtos de 149 itens, incluindo armas de choque, equipamentos médicos, algemas, poltronas e gaveteiros.
- Custo total informado pelo Executivo, somando obras de arte e reparos estruturais, chega a aproximadamente R$ 4,3 milhões.
Um Legado de Destruição e Recuperação
Três anos após os ataques, muitos danos ainda não foram plenamente mensurados. O relógio francês do século 18 e outras esculturas, móveis e peças protocolares continuam sob análise técnica, o que indica que o custo total pode ser ainda maior.
Além da dimensão material, o 8 de janeiro desencadeou uma ampla resposta institucional. A Procuradoria-Geral da República denunciou mais de 1.300 pessoas, e a Advocacia-Geral da União busca a recuperação dos valores gastos e a responsabilização dos envolvidos e financiadores dos atos.