Guerra Aumenta Déficit: Economistas Alertam sobre Custos para EUA

Yuri Kiluanji 08/01/2026

A Dívida dos EUA e o Jogo de Poder na Venezuela: Um Dilema Fiscal e Geopolítico

Em um cenário financeiro global cada vez mais complexo, os Estados Unidos se encontram em uma encruzilhada que une suas preocupações fiscais internas à sua atuação no cenário internacional. Com uma dívida nacional que ultrapassa os US$ 38 trilhões, a recente decisão do governo Trump de "administrar" a Venezuela levanta sérias questões sobre os custos e as implicações para a economia norte-americana.

O Peso da Dívida e a Preocupação dos Investidores

A trajetória fiscal dos Estados Unidos tem sido um foco de atenção para nomes proeminentes como Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, além de uma vasta gama de economistas e analistas de Wall Street. A dívida governamental ascendente é uma preocupação central para investidores, que avaliam o prêmio de risco da dívida norte-americana até 2026. De acordo com o banco UBS, essa questão fiscal se tornará ainda mais proeminente.

Tarifas e o Delicado Equilíbrio Fiscal

As recentes mudanças nas políticas tarifárias de Trump, algumas das quais foram adiadas, adicionam uma camada de complexidade. Enquanto as despesas do governo parecem crescer, a Casa Branca também está se desfazendo de fontes de receita. O adiamento do aumento de tarifas sobre móveis, armários de cozinha e bancadas, originalmente previsto para janeiro, e prorrogado por um ano, levanta dúvidas sobre a confiabilidade dessas fontes de receita.

Paul Donovan, economista-chefe do UBS, destaca que o adiamento de novas tarifas ocorre em um momento em que o custo de vida é uma preocupação constante para o eleitorado. Ele explica que "reduzir tarifas é um estímulo fiscal; adiar tarifas é um aperto fiscal adiado nos Estados Unidos, o que tem algumas implicações marginais de crescimento. Também é importante pelas implicações no tamanho do déficit fiscal norte-americano."

Venezuela: Uma Aventura de Alto Custo?

A intervenção na Venezuela adiciona mais um elemento de incerteza ao quadro fiscal dos EUA. Embora os detalhes sobre o que significa "administrar" a Venezuela sejam vagos, é inegável que tais ações militares, mesmo que indiretas, acarretam custos. Donovan sugere que essa ação "pode ser uma consideração decorrente da recente ação dos EUA na Venezuela."

A magnitude dos custos dependerá da duração e da intensidade da intervenção. O professor Kent Smetters, da Wharton, estima que os custos poderiam ser de "bilhões "suportáveis"" se as tropas americanas permanecerem fora do país e um novo governo aceitável for estabelecido. No entanto, o cenário pode se agravar drasticamente.

O Risco de um Novo Iraque

O professor Smetters adverte sobre o risco de a intervenção na Venezuela se tornar um "novo Iraque", com custos que poderiam atingir "centenas de bilhões de dólares ou mais na próxima década." Ele ressalta que o principal risco reside na condução futura dessa política. Um conflito potencial poderia elevar os custos para "dezenas de bilhões de dólares nos próximos anos."

Incerteza Geopolítica e a Confiança nos EUA

Desmond Lachman, pesquisador sênior do American Enterprise Institute, argumenta que a situação fiscal dos EUA já era preocupante antes da intervenção na Venezuela, mas essa ação certamente não ajuda. Ele aponta as ameaças à dívida nacional, incluindo a legalidade do regime tarifário e a disposição de Trump em abrir mão dessa receita em vez de usá-la para reduzir a dívida.

Lachman expressa sua preocupação com a Venezuela, afirmando que isso "só confirma que os Estados Unidos não são um parceiro muito confiável." Ele acredita que essas ações e comentários sobre outros territórios aumentam a incerteza geopolítica e levantam questionamentos entre os bancos centrais sobre a segurança de suas reservas em dólares. "O meu problema é que o déficit orçamentário já é muito ruim, e a Venezuela certamente não vai melhorar isso; pelo contrário, a Venezuela piora, então acho que temos realmente um grande problema orçamentário."

Em resumo, a política externa dos EUA na Venezuela, aliada a suas complexidades fiscais internas, cria um cenário de incerteza que impacta diretamente os mercados financeiros e a confiança na estabilidade econômica do país.

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