Segurança Social em Angola: Cobertura Ainda Longe de Acompanhar o Mercado de Trabalho
Uma análise cruzando os dados do Instituto Nacional da Segurança Social (INSS) com os do Instituto Nacional de Estatística (INE) revela uma distância significativa entre o número de trabalhadores cobertos pela protecção social obrigatória e a dimensão real do mercado de trabalho angolano.
Crescimento de segurados, mas ainda insuficiente
Entre 2020 e 2025, o número de segurados registados no INSS cresceu de cerca de 1,97 milhões para 3,34 milhões, um aumento acumulado próximo dos 70%. Em Março de 2026, o total de segurados atingiu 3.438.575 pessoas, resultado de mais de 1,49 milhões de novas inscrições nesse período — uma evolução que, à primeira vista, sugere um avanço consistente da formalização do emprego no país.
Uma cobertura de pouco mais de um quarto da população empregada
No entanto, quando comparados com os dados do INE sobre a população empregada — estimada em cerca de 13,36 milhões de pessoas —, os números do INSS revelam que o sistema de segurança social cobre apenas cerca de 25,7% dos trabalhadores angolanos. Na prática, isto significa que três em cada quatro trabalhadores no país continuam de fora do sistema de protecção social obrigatória.
O peso da informalidade
Esta disparidade reflecte, em grande medida, o peso da economia informal em Angola, onde uma parte muito significativa da população activa trabalha por conta própria ou em pequenos negócios familiares, sem vínculo formal que implique descontos para a segurança social. Ainda que o número absoluto de segurados continue a crescer ano após ano, a distância entre esse crescimento e a dimensão real da força de trabalho angolana levanta questões sobre até que ponto o actual ritmo de formalização será suficiente para inverter este cenário a curto prazo.
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