A Absurdidade da Despromoção de Militares na Reforma: Um Atentado à Dignidade e à Instituição
Uma medida de gravidade incalculável está a abalar as estruturas das Forças Armadas: a despromoção de militares na reforma. Longe de ser um mero ajuste burocrático, trata-se de um atentado direto à dignidade daqueles que dedicaram suas vidas ao serviço do país.
Conquistas, Não Títulos Administrativos
Os postos alcançados após décadas de serviço, marcados por sacrifícios pessoais, riscos reais e uma entrega total ao dever, não são simples títulos. São conquistas individuais, obtidas com mérito, disciplina e, muitas vezes, à custa da própria segurança. Estas promoções não foram concedidas, foram arduamente conquistadas.
Uma Ideia Absurda e Perigosa
Levanta-se a questão: que mente concebeu tal ideia e a quem serve esta medida? Desde quando as Forças Armadas podem ser tratadas como propriedade, onde a história profissional de quem dedicou uma vida ao país pode ser simplesmente reescrita? Se a lógica permite despromover após a carreira, por coerência, também deveria permitir promover. Isso revela uma falta de seriedade e conhecimento profundo por parte de quem propõe tais alterações.
Mexer retroativamente no percurso de um militar, seja para cima ou para baixo, distorce a essência da hierarquia e do mérito, transformando a carreira militar num jogo arbitrário onde o esforço e o sacrifício perdem o seu valor. Abre-se um precedente perigoso: o que impedirá amanhã de reescrever toda a estrutura das Forças Armadas ao sabor de conveniências momentâneas?
Afronta e Precedente Institucional
Tratar esta situação com leveza é impossível. É uma afronta direta aos reformados, aos na reserva e aos no ativo – abrangendo todos os escalões e trabalhadores civis. É um desrespeito pela instituição militar e cria um precedente institucionalmente perigoso.
O Silêncio Inquietante e o Futuro das Forças Armadas
O silêncio dos militares perante esta decisão é perturbador. Ou denota uma resignação preocupante diante de medidas que atingem o cerne da identidade militar, ou sugere que algo está a ser preparado nos bastidores, possivelmente em vista de cenários eleitorais. Em ambos os casos, o silêncio não é neutro.
É inadmissível que a história e o destino das Forças Armadas sejam reescritos por civis, sem qualquer consulta à estrutura militar. Que racionalidade existe em tomar medidas de tal magnitude sem ouvir quem dedicou a vida à instituição? Quem se pretende agradar com este plano opaco? Quem são os militares que se pretende atingir?
Mais grave ainda, quem propõe estas alterações compreende verdadeiramente o que significa comandar, preservar e honrar as Forças Armadas de um país? Estamos perante uma interferência que ultrapassa todos os limites do razoável. Não coloca apenas carreiras individuais em causa, mas ameaça a integridade institucional e o respeito que o Estado deve aos seus servidores. Ignorar isto é brincar com fogo.
Este artigo reflete a opinião de um Investigador em Segurança e Defesa.