Enviado Especial da União Africana Chega a Bissau para Consultas Oficiais
Patrice Trovoada, ex-primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe e atual enviado especial da União Africana (UA) para a Guiné-Bissau, tem chegada agendada para quinta-feira em Bissau. A visita, que se prolongará por dois dias, insere-se no quadro das consultas em curso com as autoridades nacionais guineenses.
Agenda de Encontros
Segundo confirmou o Governo guineense em nota de imprensa divulgada nas redes sociais do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Patrice Trovoada manterá encontros de trabalho com altas entidades do Estado e com figuras proeminentes da vida pública nacional. Na quinta-feira, está prevista uma audiência com o primeiro-ministro do Governo de transição, Ilídio Vieira Té, pelas 11:00.
Missão para Restaurar a Ordem Constitucional
A nomeação de Patrice Trovoada para este cargo ocorreu a 23 de janeiro, a pedido do presidente da comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf. O objetivo principal da sua missão é apoiar os esforços da organização para restaurar a ordem constitucional na Guiné-Bissau. Mahmoud Ali Youssouf expressou confiança na capacidade de Trovoada, destacando as suas "qualidades profissionais e pessoais" para o exercício eficaz do mandato.
Contexto Político da Guiné-Bissau
A Guiné-Bissau encontra-se suspensa da UA desde o golpe de Estado ocorrido em 26 de novembro de 2025. Na altura, militares tomaram o poder, interrompendo o processo eleitoral para a escolha do novo Presidente da República e dos deputados da Assembleia Nacional Popular. Desde então, o país tem sido governado por um Alto-Comando Militar, que nomeou o General Horta Inta-a como Presidente da República de Transição. O parlamento foi substituído por um Conselho Nacional de Transição, que procedeu à revisão da Constituição, conferindo poderes acrescidos ao Presidente da República.
Eleições e Exigências Internacionais
O Presidente em exercício convocou novas eleições gerais, tanto presidenciais como legislativas, para o dia 6 de dezembro. Organizações internacionais com as quais a Guiné-Bissau é membro têm reiteradamente exigido o regresso à normalidade constitucional, com um período de transição curto e um Governo inclusivo que represente as diversas sensibilidades políticas do país.
Reações e Iniciativas Diplomáticas
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) já enviou duas missões a Bissau, cujos resultados ainda não são conhecidos. A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) agendou uma missão de alto nível entre 17 e 21 de fevereiro, mas esta foi cancelada após troca de acusações entre a Guiné-Bissau e Timor-Leste, este último com a presidência temporária da organização.
No início deste mês, o Presidente de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, manifestou o desejo de que a nomeação de Patrice Trovoada sirva para "fortalecer o processo de paz" na Guiné-Bissau. Vila Nova informou, contudo, que o Estado são-tomense "não foi consultado" sobre a nomeação, não tendo, por isso, uma posição oficial a declarar. Sublinhou ainda que a escolha partiu da comissão executiva da UA, um dos seus órgãos, e não da organização na sua totalidade.